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Doenças tidas antes como incuráveis, como a esclerose múltipla, Mal de Parkinson, reumatismo e diabetes, entre muitas outras, podem estar com seus dias contados. Elas estão na mira de pesquisadores que estudam as células-tronco (CT) e prometem uma revolução no tratamento e na vida de pessoas que, até pouco tempo atrás, não tinham esperança de cura.É o caso de Nelson Águia, representante comercial de 71 anos. Após sofrer dois enfartes em um espaço de 14 anos e com cinco pontes de safena e duas mamárias, a única solução para o seu caso era o transplante de coração. "Não conseguia subir uma escada, tinha muita dor no peito. Tive que parar de trabalhar."
Águia não teve o coração transplantado, mas hoje voltou a trabalhar e caminha quatro quilômetros em dias alternados. Seu coração foi salvo por um implante de células-tronco, o primeiro realizado no mundo, em dezembro de 2001. "Renasci com o transplante de células-tronco", diz.
Além de problemas cardíacos, as células-tronco já são uma realidade comprovada em tratamentos de "doenças oncohematológicas (câncer no sangue) como vários tipos de leucemia, de linfomas, mieloma múltiplo, além de aplasia de medula óssea, anemias hereditárias e alguns tumores sólidos, como neuroblastoma", explica a Cláudia Maria Maggioni, responsável pelo banco de sangue do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo.
Mais distante, porém em estudos, está o tratamento para deficientes físicos. Em São Paulo, a psicóloga e publicitária Mara Gabrilli, 37 anos, tetraplégica há 11, quando sofreu um acidente de carro, foi submetida em 2003 a uma pesquisa inédita no Brasil, realizada com trinta pessoas no Hospital das Clínicas de São Paulo.
Essas pessoas receberam, nas vértebras lesionadas, células-tronco retiradas de sua própria medula óssea. "Das 30, duas tiveram grande melhora motora e a maioria teve muita evolução na sensibilidade", conta Gabrilli, que cita a percepção de onde está o seu corpo e a melhora de tônus muscular como principais alterações que sentiu após a pesquisa, melhoras outrora impensadas para uma pessoa com a sua lesão, considerada grave.
Fabiana Peres, que ficou tetraplégica há quatro anos, também em um acidente de carro, acompanha com esperança o tratamento de Mara Gabrilli e dos outros 29 pacientes. Caso os resultados com as células-tronco se confirmem positivos, ela também poderá se beneficiar dele. "Eu acredito que vai chegar um tempo em que a cadeira de rodas será aposentada."
Ela está certa. "Com a evolução das pesquisas com células-tronco, daqui a anos, uma pessoa que for atendida nas primeiras horas após ocorrer uma lesão na medula espinhal pode ser totalmente curada", acredita o biólogo Radovan Borojevic, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), um dos pioneiros em tratamentos com células-tronco no Brasil, e um dos responsáveis pela cirurgia cardíaca de Nelson Águia.
Comentário CCB:
Os resultados obtidos com tratamentos experimentais com terapia celular (células-tronco) são surpreendentes em muitas áreas. |